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Ilustração de Xu Lei para Vintage 2008, Châteu Mouton Rothchild

I raise my cup and invite
The moon to come down from the
Sky. I hope she will accept
Me. I raise my cup and ask
The branches, heavy with flowers,
To drink with me. I wish them
Long life and promise never
To pick them. In company
With the moon and the flowers,
I get drunk, and none of us
Ever worries about good
Or bad. How many people
Can comprehend our joy? I
Have wine and moon and flowers.
Who else do I want for drinking companions?

Su Shi

La Pipe

Je suis la pipe d’un auteur;
On voit, à contempler ma mine
D’Abyssinienne ou de Cafrine,
Que mon maître est un grand fumeur.

Quand il est comblé de douleur,
Je fume comme la chaumine
Où se prépare la cuisine
Pour le retour du laboureur.

J’enlace et je berce son âme
Dans le réseau mobile et bleu
Qui monte de ma bouche en feu,

Et je roule un puissant dictame
Qui charme son coeur et guérit
De ses fatigues son esprit.

Charles Baudelaire

Arte de Bem Beber

Há quem beba às refeições
e quem beba a toda a hora
os que bebem para esquecer
escolha tipo colheita
ou apenas a marca

Há quem seja connoaisseur
como diz a minha prima
e saiba da boa casta
quem tenha língua apurada
para ácidos málicos láticos
claretes generosos adamados
e requintados bouquets

quem beba sem distinção
beba verde por maduro
e até branco por tinto
há quem viva pra beber
e quem não possa beber
ou beba vinagre azeite

Há velhas que bebem chá
outras só bebem garotos
garotas que bebem leite
bebem sumo de tomate
quem se mate por beber

uns que bebem só do fino
e alguns que bebem tudo
vampiros que bebem sangue
os que bem ódio e fel
ou mel vichy caracola

Há quem beba por remédio
quem não tenha outro remédio
quem sugue o suor dos outros
quem beba muito em segredo
afogue a tristeza em vinho
afogados bebem água

Há quem mame em várias tetas
quem fique a chuchar no dedo
também quem chupe nas ventas

quem beba por taça d’oiro
beba na concha da mão
quem beba tédio melancolia
morfina sicuta cocaína
cannabis sativa lindei

(quem beba o ar que respiras)

quem beba a vida
e morra de sede

in “Poemas de Ponta & Mola”, Mendes de Carvalho, Editorial Futura, 1975

Virgem com Menino, Cleve, Joos van (1485.1540)

Passion for Solitude

I’m eating a little supper by the bright window.
The room’s already dark, the sky’s starting to turn.
Outside my door, the quiet roads lead,
after a short walk, to open fields.
I’m eating, watching the sky—who knows
how many women are eating now. My body is calm:
labor dulls all the senses, and dulls women too.

Outside, after supper, the stars will come out to touch
the wide plain of the earth. The stars are alive,
but not worth these cherries, which I’m eating alone.
I look at the sky, know that lights already are shining
among rust-red roofs, noises of people beneath them.
A gulp of my drink, and my body can taste the life
of plants and of rivers. It feels detached from things.
A small dose of silence suffices, and everything’s still,
in its true place, just like my body is still.

All things become islands before my senses,
which accept them as a matter of course: a murmur of silence.
All things in this darkness—I can know all of them,
just as I know that blood flows in my veins.
The plain is a great flowing of water through plants,
a supper of all things. Each plant, and each stone,
lives motionlessly. I hear my food feeding my veins
with each living thing that this plain provides.

The night doesn’t matter. The square patch of sky
whispers all the loud noises to me, and a small star
struggles in emptiness, far from all foods,
from all houses, alien. It isn’t enough for itself,
it needs too many companions. Here in the dark, alone,
my body is calm, it feels it’s in charge.

Cesar Pavese, Translated by Geoffrey Brock


C’mon Pigs of Western Civilization Eat More Grease

Eat Eat more marbled Sirloin more Pork’n
gravy!
Lard up the dressing, fry chicken in
boiling oil
Carry it dribbling to gray climes, snowed with
salt,
Little lambs covered with mint roast in racks
surrounded by roast potatoes wet with
buttersauce,
Buttered veal medallions in creamy saliva,
buttered beef, by glistening mountains
opf french fries
Stroganoffs in white hot sour cream, chops
soaked in olive oil,
surrounded by olives, salty feta cheese, followed
by Roquefort & Bleu & Stilton
Thirsty
for wine, beer Cocacola Fanta Champagne
Pepsy retsina arak whiskey vodka
Agh! Watch out heart attack, pop more
angina pills
order a plate of Bratwurst, fried frankfurters
couple billion Wimpys’, McDonald’s burgers
to the moon & burp!
Salt on those fries! Hot dogs! Milkshakes!
Forget greenbeans, everyday a few carrots,
a mini big spoonfull of salty rice’ll
do, make the plate pretty;
Throw in some vinegar pickles, bring sauerkraut
check yr. cholesterol, swalow a pill
and order a sugar Cream donut, pack 2 under
the size 44 belt
Pass out in the vomitorium come back cough
up strands of sandwich still chewing
pastrami at Katz’s delicatessen
Back to central Europe & gobble Kielbasa
in Lódz
swallow salami in Munich with beer, Lverwurst
on pumpernickel in Berlin, greasy cheese in
a 3 star Hotel near Syntagma, on white
bread thick-buttered
Set an example for developing nations, salt,
sugar,  animal fat, coffe tobacco Schnapps
Drop dead faster! make room for
Chinese guestworkers with alien soybean
curds green cabbage & rice!
Africans Latins with rice beans & calabash can
stay thin & crowd in apartments for working
class foodfreaks–

Not like Western cuisine rich in protein
cancer heart attack hypertension sweat
bloated liver & spleen megaly
Diabetes & stroke – monuments to carnivorous
civilizations
presently murdering Belfast
Bosnia Cypress Ngorno Karabach Georgia
mailing love letter bombs in
Vienna or setting houses afire
in East Germany – have another coffee.
Here’s a cigar.
And this is a plate of black forest chocolate cake,
you deserve it.

In “Death & Fame, Last Poems” – Allen Ginsberg

Paul McCarthy/Damon McCarthy – Elizabeth Taylor and Hershey’s Syrup can

Paul McCarthy, Mechanical Pig

Nunca eu teria seguido César até aos Bretões,
E facilmente Florus me teria arrastado para a taberna
pois mais odiosa me será sempre a triste névoa do Norte
Do que o solícito povo das pulgas do Sul.
E a vós, tabernas, de modo ainda mais amável agora
(vos saúdo,
Osterias, como o romano justamente vos chama:
pois hoje me mostraste a amada, acompanhada pelo tio
Que Há tanto tempo, para me ter a bela engana.
Aqui estava à nossa mesa, rodeada por companheiros
(Alemães,
E além o tesouro ao lado da mãe se sentou.
E virou-se para cá e para lá, e conseguiu
Que eu visse a metade ora do seu rosto, ora da sua nuca.
Falava mais alto do que é costume entre as Romanas,
(servia-me,
Olhava-me de lado, enchia e falhava o copo;
O vinho corria sobre a mesa e ela, com dedo gracioso,
desenhava círculos húmidos na folha da madeira.
Entrelaçava o meu nome com o seu, e eu, ansioso,
Fixei sempre o seu dedo, e ela reparou em mim.

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Quando cedeu ao nobre lásion, o vigoroso rei dos Cretenses,
O doce segredo do seu corpo imortal.
Como se regozijou Creta, pois o leito nupcial da Deusa
Estava repleto de espigas e o campo pejado de trigo.
Mas o resto do mundo passava fome, pois no deleite
Do amor Ceres faltava ao seu belo ofício.                                                                                                                                    Cheio de espanto o iniciado ouviu a lenda,
Fez sinal à amada – Entendes tu agora , amor, o sinal?
Segue-me depressa até ao canavial no fundo da vinha,
O nosso prazer não traz perigo ao mundo.

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Porque não vieste, amado, hoje à vinha?
Como te prometi esperei por ti a sós.
“Querida, já eu lá estava, quando por sorte vi o teu tio
Que com esforço se virava para cá e para lá entre as cepas.
De mansinho me escapei!” – Oh, como foste enganado!
Era apenas um espantalho o que te expulsou! Foi ele que
Ergueu, zeloso, a figura com canas e roupas velhas –
Ah!, eu própria o ajudei para meu desgosto.
Agora cumpriu-se o seu desejo: afugentou
Hoje o pássaro mais solto que lhe rouba o jardim
(e a sobrinha.

In, Erotica Romana, J. W. Goethe

Bacanal, Michel-Ange Houasse


Bebem dama e cavalheiro,
bebe o clérigo e a senhoria
bebe esta e bebe aquela,
bebe o servo com a criada,
bebe o lesto e bebe o madraço,
bebe o branco e bebe o negro,
bebe o pronto e o hesitante,
bebe o douto e o ignorante,
bebe o pobre e o doente,
bebe o desterrado e o ingrato,
bebe o jovem e o ancião,
bebem bispo e o deão,
bebem a freira com o frade
bebe avó e bebe mãe
bebe esta e bebe este,
bebem cem, mil e o resto.
Duram pouco seis moedas,
quando bebes sem igual
bebem todos sem meta
bebe só a alma alegre.
Sendo assim és amaldiçoado
E não te oferecem uma gotinha.
Quem não nos ama maldito seja
E não seja recordado.

Carmina Burana
Quando Estamos na Taberna (Carme 196)


Tavern Scene from the Series A Rake’s Progress by William Hogarth

Limpo está o chão agora e vazias as mãos e os copos
Colocam-nos grinaldas na cabeça. Oferecem-nos depois
frascos de perfumados unguentos. Na mesa está pousada
já a grande taça cheia de alegrias. Mais vinho está sendo
preparado nas suas ânforas    daquele que nos asseguram
jamais há-de ser ingrato. Eleva-se no ar o sagrado
aroma do incenso. fresca é a água   doce e cristalina
Há cestos com pães dourados    e na mesa digna de tal
banquete   queijos e mel. Ao centro está o altar coberto
de flores – o canto e a festa da casa se apoderam

Xenófanes

bacchanale

Bacanal em Andros, Tiziano Vecellio

A ostra, do tamanho de um seixo mediano, tem uma aparência mais rugosa, uma cor menos uniforme, brilhantemente esbranquiçada. É um mundo recalcitrantemente fechado. Entretanto, pode-se abri-lo: é preciso então agarrá-la com um pano de prato, usar uma faca pouco cortante, denteada, fazer várias tentativas. Os dedos curiosos ficam trinchados, as unhas quebram-se: é um trabalho grosseiro. Os golpes que lhe são desferidos marcam com círculos brancos o invólucro, como halos. 
No interior encontra-se todo um mundo, de comer e de beber: sob um “firmamento” (propriamente falando) de madrepérola, os céus de cima se curvam-se sobre os céus de baixo, para formar nada mais que um charco, um sachê viscoso e verdejante, que flui e reflui para a vista e o olfato, com franjas de renda negra nas bordas. 
Por vezes mui raro uma fórmula peroliza em sua goela nácar, e alguém encontra logo com que se adornar.

Francis Ponge

7183

Oysters, Young Sir?  Henry Perlee Parker

HU039599

The place where no distinctions are,
All sects and colors mingle there,
Long  folks and short, black folks and gray
With common bawds, and folks that pray,
Rich folks and poor, both old and young,
And good, and bad, and weak, and strong,
The wise and simple, red and white,
With those that play and those that fight
The high , the low, the proud the meek.
And all one common object seek;
For lady, belle, and buck, and lass,
here mingle in one common mass,
Contending all which shall be first,
To buy the cheapest, best, or worst.
In fact their opbjecft is to get
Such things as they can ‘ford to eat –
Some beef, some pork, some lamb or veal,
And those who cannot buy must steal –
Nothing more clear, I’ll tell you why,
All kinds of folks must eat or die.
Objects of honor or disgrace,
Are all seen at the market-place.
Do you a slothful debtor seek?
Go there, and you may with him speak;
Seek there a fool, a friend , a foe,
For all togehther there will go.
Are you a painter, and would trace,
the features of one in distress?
Go there, for there you’re sure to find,
An object suited to your mind.
And do you seek a beauteous form,
A well-shaped leg or handsome arm?
Go seek it there, for there are all,
Of every person since the fall:
The virgin, matron, husband, child,
Upon this place have often smiled;
Whate’er you want, you’ll find it there,
There’s every thing, and every where
But those who are on killing bent,
Alone shall feel my chastisement;
in Boston these, ‘tis said have not;
Or common sense or feeeling got;
And therefore they are not allowed,
The common jurors’ seat to crowd;
But butchers here, like other men,
Have common sense and sense of pain;
These weigh the meat, and you must know,
The meat side of the scale is low,
And wants your care to balance it,
If you would have your proper weight,
Or else two pounds of beef, you’ll see,
Will just two pounds of beef odd ounces be
The rich, who buy a stately piece,
Will scarcely know their meats decrease;
But ‘tis the poor, who little buy,
That miss their meat, and wonder why,
‘Tis thus with some – but not with all–
For many, from the loaded stall,
With ballance even, weigh the meat,
Too honest to defraud or cheat.

In Review of New York, Thomas Heaton (1814)

The Ballad of Bouillabaisse

A Street there is in Paris famous,
For which no rhyme our language yields,
Rue Neuve de petits Champs its name is-
The New Street of the Little Fields;
And there’s an inn, not rich and splendid,
But still in comfortable case–
The which in youth I oft attended,
To eat a bowl of Bouillabaisse.

This Bouillabaisse a noble dish is–
A sort of soup, or broth, or brew,
Or hotchpotch of all sorts of fishes,
That Greenwich never could outdo;
Green herbs, red peppers, muscles, saffern,
Soles, onions, garlic, roach, and dace;
All these you eat at Terre’s tavern,
In that one dish of Bouillabaisse.

Indeed, a rich and savory stew ‘t is;
And true philosophers, methinks,
Who love all sorts of natural beauties,
Should love good victuals and good drinks.
And Cordelier or Benedictine
Might gladly, sure, his lot embrace,
Nor find a fast-day too afflicting,
Which served him up a Bouillabaisse.

I wonder if the house still there is?
Yes, here the lamp is as before;
The smiling, red-cheeked ecaillere is
Still opening oysters at the door.
Is Terre still alive and able?
I recollect his droll grimace;
He’d come and smile before your table,
And hoped you like your Bouillabaisse.

We enter; nothing’s changed or older.
“How’s Monsieur Terre, waiter, pray?”
The waiter stares and shrugs his shoulders ;–
“Monsieur is dead this many a day.”
“It is the lot of saint and sinner.
So honest Terre’s run his race!”
“What will Monsieur require for dinner?”
“Say, do you still cook Bouillabaisse?”

“Oh, oui, Monsieur,” ‘s the waiter’s answer;
“Quel vin Monsieur desire-t-il ?”
“Tell me a good one.” “That I can, sir;
The Chambertin with yellow seal.”
“So Terre’s gone,” I say, and sink in
My old accustomed corner-place;
“He’s done with feasting and wine drinking,
With Burgundy and Bouillabaisse.”

My old accustomed corner here is–
The table still is in the nook;
Ah! vanished many a busy year is,
This well-known chair since last I took.
When first I saw ye, Cari luoghi,
I’d scarce a beard upon my face,
And now a grizzled, grim old fogy,
I sit and wait for Bouillabaisse.

Where are you, old companions trusty
Of early days, here met to dine?
Come, waiter! quick, a flagon crusty
I’ll pledge them in the good old wine.
The kind old voices and old faces
My memory can quick retrace;
Around the board they take their places,
And share the wine and Bouillabaisse.

There’s Jack has made a wondrous marriage;
There’s laughing Tom is laughing yet;
There’s brave Augustus drives his carriage;
There’s poor old Fred in the Gazette;
On James’ head the grass is growing:
Good Lord! the world has wagged apace
Since here we sat the Claret flowing,
And drank, and ate the Bouillabaisse.

Ah me! how quick the days are flitting!
I mind me of a time that’s gone,
When here I’d sit, as now I’m sitting,
In this same place–but not alone.
A fair young form was nestled near me,
A dear, dear face looked fondly up,
And sweetly spoke and smiled to cheer me.
–There’s no one now to share my cup.

I drink it as the Fates ordain it.
Come, fill it, and have done with rhymes;
Fill up the lonely glass, and drain it
In memory of dear old times.
Welcome the wine, whate’er the seal is;
And sit you down and say your grace
With thankful heart, whate’er the meal is.
here comes the smoking Bouillabaisse !

William Makepeace Thackery

Picture 1

Anton Friedrich Harms (1695-1745)

Beautiful Soup

BEAUTIFUL Soup, so rich and green,
Waiting in a hot tureen!
Who for such dainties would not stoop?
Soup of the evening, beautiful Soup!
Soup of the evening, beautiful Soup!
Beau–ootiful Soo-oop!
Beau–ootiful Soo-oop!
Soo–oop of the e–e–evening,
Beautiful, beautiful Soup!
Beautiful Soup! Who cares for fish,
Game, or any other dish?
Who would not give all else for two
Pennyworth only of Beautiful Soup?
Pennyworth only of beautiful Soup?
Beau–ootiful Soo-oop!
Beau–ootiful Soo-oop!
Soo–oop of the e–e–evening,
Beautiful, beauti–FUL SOUP!

Lewis Carroll

picasso270

Le Gourmet, Pablo Picasso


The Gourmet’s Love-Song

HOW strange is Love: I am not one
Who Cupid’s power belittles,
For Cupid ‘tis who makes me shun
My customary victuals.
Of, Effie, since that painful scene
That left me broken-hearted,
My appetite, erstwhile so keen,
Has utterly departed.
My form, my friends observe with pain,
Is growing daily thinner.
Love only occupies the brain
That once could think of dinner.
Around me myriad waiters flit,
With meat and drink to ply men;
Alone, disconsolate, I sit,
And feed on thoughts of Hymen.
The kindly waiters hear my groan,
They strive to charm with curry;
They tempt me with a devilled bone —
I beg them not to worry.
Soup, whitebait, entrées, fricasees,
They bring me uninvited.
I need them not, for what are these
To one whose life is blighted?
They show me dishes rich and rare,
But ah! my pulse no joy stirs,
For savouries I’ve ceased to care,
I hate the thought of oysters.
They bring me roast, they bring me boiled,
But all in vain they woo me;
The waiters softly mutter, ‘Foiled!’
The chef, poor man, looks gloomy.
So, Effie, turn that shell-like ear,
Nor to my sighing close it,
You cannot doubt that I’m sincere —
This ballad surely shows it.
No longer spurn the suit I press,
Respect my agitation,
Do change your mind, and answer, ‘Yes’,
And save me from starvation.

P. G. Wodhouse


Alan_Kingsbury

“Les Trois Huitres”, Alan Kingsbury

JK_Anabela

There was a knock on the door. It was the meat.

There was a knock on the door.
It was the meat. I let it in.
Something freshly slaughtered
Dragged itself into the hall.

Into the living-room it crawled.
I followed. Though headless,
It headed for the kitchen
As if following a scent.

Straight to the oven it went
And lay there. Oozing softly to itself.
Though moved, I moved inside
And opened wide the door.

I switched to Gas Mark Four.
Set the timer. And grasping
The visitor by a stump
Humped it home and dry.

Did I detect a gentle sigh?
A thank you? The thought that I
Had helped a thing in need
Cheered me as I turned up the heat.

Two hours later the bell rang.
It was the meat.

Roger McGough


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Fotos: Julia Kissina

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O Banquete dos deuses (Fresco), Rafaello Sanzio de Urbino (1483-1520)


O BANQUETE

………………………………. Sobre as mãos
foi derramada água. Derramou-a um jovem delicado
que segurava nas mãos um jarro de prata. Em seguida,
trouxe uma coroa com belos ramos de tenro mirto
entrelaçada numa dupla grinalda.
………………………………………………………………………………………………………………………………………….
Crianças aos pares trouxeram mesas deslumbrantes
E, transportando cada par a sua, encheram com elas a sala.
Elas resplandeciam com o brilho das luzes suspensas no
alto,
Coroadas por bandejas, pratos com acepipes
e molheiras, e exibia-se por toda a parte
o que a arte inventara para tornar
a vida agradável e atractiva para o espírito.
…uns trouxeram cestos com biscoitos brancos
como a neve, outros…
vieram então, meu caro, não uma marmita,
mas pratos enormes, onde se apresentava
magnífica e esplendidamente toda a variedade
de pratos com enguias e abundantes
caldeiradas de congro de refinado paladar.
E veio ainda, pelo menos tão bom, um prato de raia
perfeitamente redondo e muito saboroso,
e pequenas marmitas com porções de esqualo…
…havia também abundância de lulas
e polvos de moles tentáculos. Depois disto,
chegou, quente, tão grande como a mesa,
um peixe inteiro de dentes cerrados…
e expelindo vapor, da quentura. Trouxeram,
além disso, chocos, ó amigo, camarões coloridos
e lagostins e, depois disto, compotas
de boas folhas verdes e agradáveis ao paladar…
e pão trigueiro, e pão espalmado……….
ao mesmo tempo doce e picante…
isso a que nós, eu e tu, chamamos, bem sei,
o centro do banquete. Mas, para remate,
ó deuses, eis que chega um atum
grelhado lá em baixo ao calor, no lugar onde,
cortado por uma faca, foi imediatamente
temperado. E, se eu e tu precisássemos
de ir em auxílio dessa barriga,
retiraríamos daí grande prazer. Mas,
quando o deixámos, veio outra baixela
onde eu podia ainda picar sem reserva,
sem que alguém me sensurasse por isso.
Tudo isto estava ali realmente para nós;
Recuámos, porém, perante as vísceras
ferventes; em seguida, veio linguiça
de porco caseiro e lombo e alcatra
borbulhando da quentura.
E o principal: um criado trouxe, inteiro,
completamente cozido, um cabrito alimentado a leite,
e estufado. Em seguida miudezas
Cozidas no ponto e, depois delas, costoletas
de porco de pele muito branca,
o focinho, a cabeça, as patas e croquetes
bem temperados. E ainda outras carnes,
de cabrito e cordeiro, cozidas ou grelhadas.
E, além disso, ó delícias, chouriços,
deliciosos, extraídos de ambos os animais
– tão apetitosos que os deuses os apreciariam.
(Espero, meu caro, que tu venhas a provar
todas estas iguarias.) E havia ainda
porções de lebre, de pintainhos,
de perdizes e pombos em abundância.
Por todos os lados se ofereciam
as carnes quentes… e as massas folhadas.
E, para completar a atrelagem, trouxeram
Ainda loiro mel e leite coalhado que todos
Consideraram facilmente queijo mole
E eu tomei como tal. Mas, quando
os convivas se saciaram de comer e beber,
os empregados levantaram a mesa. Em seguida,
crianças trouxeram água para lavar as mãos,
derramando água tépida sobre o óleo de íris
derramando água tépida sobre o óleo de íris
enquanto precisávamos, e deram-nos toalhas deslumbrantes tecidas
de linho fino, perfumadas, cheirando
a ambrosia, e grinaldas tecidas de violetas.

Thomas_Couture

Os Romanos da decadência, Thomas Couture 1847

………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Mas eis que as mesas deslumbrantes que víramos antes
foram trazidas de novo, como navios de transporte
carregados de riquezas acumuladas. Os mortais
chamam-lhes a sobremesa e os imortais
o corno de Amalteia. No meio erguia-se
um grande motivo de alegria para os homens,
uma substância branca e doce, que escondia
recatadamente  face sob um tecido fino
como uma teia de aranha, para que
não se visse o rebanho de abelhas de Aristeu
nascidas das ovelhas e que o tempo seco,
nas fontes secas fez retroceder. O seu nome
é doce não moído. Mãos diligentes
serviram depois uma iguaria a que chamam
gulodices de Zeus. Em seguida distribuíram
uma mistura grelhada com açafrão, que se obtém
aloirando ao lume uma massa branca de grão-de-bico,
iguaria requintada, duma extrema doçura…
Depois vieram alinhar-se à volta, semelhantes
aos raios dourados do mel, uns pastéis de massa adocicada,
Finos pedaços passados por azeite, chamados
“conchinhas de porco”, agradáveis torradas
redondas, em quantidade inumerável
bolos de mel, fabricados em abundância,
fritos e polvilhados com sésamo,
e bolos de leite, com mel também misturado,
e pastéis de massa fina. E trouxeram ainda,
feito de queijo coalhado com sésamo,
e mergulhados em azeite a ferver,
bolos também polvilhados de sésamo. Em seguida,
grãos-de-bico com açafrão, colhidos
em tenra floração, e ovos, e amêndoas
de casca doce, e nozes, que as crianças
gostam de trincar. Em suma, tudo
o que convém a uma mesa orgulhosa
das suas riquezas. Finalmente,
vieram as bebidas, as taças
e as conversas em comum. Disseram-se
graças espirituosas e novas, que todos
louvaram e admiraram sem reservas.

………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Aceita este licor de Baco,
esta taça cheia de humilde orvalho,
Porque esta doçura é Brónio folgazão
quem no-la dá e traz a todos alegria.

Uns sorviam o néctar em taças de ouro
esculpidas, outras bebeiam lentamente
por chifres cavados…

Filóxeno de Citera


Varonese_Cana

As bodas de Caná, , Paolo Veronese, 1563