You are currently browsing the category archive for the ‘FUMO’ category.

 

La Pipe

Je suis la pipe d’un auteur;
On voit, à contempler ma mine
D’Abyssinienne ou de Cafrine,
Que mon maître est un grand fumeur.

Quand il est comblé de douleur,
Je fume comme la chaumine
Où se prépare la cuisine
Pour le retour du laboureur.

J’enlace et je berce son âme
Dans le réseau mobile et bleu
Qui monte de ma bouche en feu,

Et je roule un puissant dictame
Qui charme son coeur et guérit
De ses fatigues son esprit.

Charles Baudelaire

Mark Twain foi um fumador inveterado de charutos. Só os fumava de má qualidade sem que isso afectasse o prazer que tirava do seu consumo. Os amigos, na tentativa de conseguir mudar-lhe o hábito ofereciam-lhe regularmente havanos que ele educadamente recusava. Nunca o conseguiram convencer. Começava a fumar quando saía da cama e só tirava o charuto da boca para dormir. Faz hoje um século que morreu com a provecta idade de setenta e quatro anos.

“Eating and sleeping are the only activities that should be allowed to interrupt a man’s enjoyment of his cigar.”— Mark Twain

“…Ao ouvir Lucien saltar da vinha para a estrada, o desconhecido voltou-se, pareceu fascinado pela beleza profundamente melancólica do poeta, pelo simbólico ramo de flores e pelo traje elegante. O viajante assemelhava-se a um caçador que encontra uma presa há muito e em vão procurada. deixou que Lucien se aproximasse, num estilo de marinha, enquanto observava o seu andar fingindo olhar para o fundo da encosta. Lucien que esboçou o mesmo gesto, avistou uma pequena caleche puxada por dois cavalos e um postilhão de pé.
– O senhor deixou passar a diligência, vai perder o seu lugar, a não ser que quira subir para a minha caleche para a alcançar, pois a posta anda mais depressa do que a viatura pública – disse o viajante a Lucien, proferindo estas palavras com um sotaque marcadamente espanhol e acompanhando a sua oferta com uma requintada delicadeza.
Sem esperar pela resposta de Lucien, o espanhol retirou do bolso uma charuteira e apresentou-a, aberta, a Lucien, a fim de que este se servisse.
– Não sou um viajante – respondeu Lucien – e estou demasiado perto do fim da minha corrida para me oferecer o prazer de fumar…
– Está a ser muito severo para consigo próprio – insistiu o espanhol. – Se bem que cónego honorário da catedral de Toledo, fumo, de vez em quando, um charuto. Deus deu-nos o tabaco para adormecer as nossas paixões e as nossas dores…
Parece-me desgostoso, traz pelo menos a insígnia do desgosto na mão, como o triste deus do himeneu. Aceite!… Todos os seus desgostos desaparecerão com o fumo…
E o padre voltou a estender a charuteira de palha com uma espécie de sedução, lançando a Lucien um olhar animado de caridade.”

In “Ilusões Perdidadas”, Honoré de Balzac


Hoyo-Epicure-No2

Hoyo de Monterrey Epicure No.2

Viver sem fumar é como escrever sem pontuação.

Vasco Pulido Valente


Noctambulario. Junio 2009. Poema de Roberto Juarroz

Photo: Helmut Newton