“O período de devoção religiosa de Tolstoi teria um término tão abrupto quanto o seu início. Na Quaresma, quando a família estava à mesa, perante um jantar vegetariano, Tolstoi pediu as costeletas reservadas ao tutor ateísta dos filhos. Quando Sofia lhe recordou que era dia de jejum, Tolstoi respondeu-lhe: “Não tenciono fazer mais jejum e, por favor, não volteis a encomendar-me refeições de Quaresma.” Foi com deleite que comeu as costeletas perante o olhar dos filhos. Vários deles não teriam qualquer religião na idade adulta, o que não surpreenderia Sofia: estavam normalmente confusos. Sofia sabia que o marido tinha uma grande necessidade da religião, mas que a sua fé tradicional o deixava insatisfeito. A sua busca espiritual era complexa, mas as suas conversões foram súbitas.”

In “Sofia Tolstoi – Uma Biografia”, Alexandra Popoff, Civilização Editora

Retrato de Leo Tolstoi por Ivan Nikolaevich Kramskoy