Parnaso (Apolo, Venus, Mercúrio e as Musas), de Andrea Mantegna

Estou a rasgar um trilho pelos domínios sem caminhos do reino pieriano das Musas, onde nenhum pé deixou antes a sua marca. Que alegria é aproximar-nos de fontes virgens e beber as suas águas. Que alegria colher novas flores e juntá-las numa gloriosa grinalda, arrancadas a campos cujas flores ainda nunca foram entrelaçados pelas Musas à volta de qualquer cabeça. Esta é a minha recompensa por ensinar esses temas majestosos, por me esforçar por libertar os espíritos dos homens dos apertados nós da superstição, e por derramar nos escuros cantos os raios brilhantes da minha canção que irradia tudo com o fulgor das Musas.

In, “Sensações e Sexo”, Lucrécio, Tradução de José Pinheiro, Coisas de Ler, Edições, Lda.