(…) Depois de preparar o ponche divertimo-nos a comer ostras, passando-as um ao outro quando já as tínhamos na boca. Ela oferecia-me a sua sobre a sua língua ao mesmo tempo que eu lhe metia na boca a minha. Não há jogo mais lascivo, mais voluptuoso entre dois apaixonados. Até é cómico, e a sua comicidade não desgasta, porque o riso só está feito para os que são felizes. Que bom está o molho de uma ostra que chupo da boca da pessoa que adoro! É a sua saliva. A intensidade do amor não pode deixar de aumentar quando a mastigo, quando a engulo! (…)

in,  “História da minha vida”, Giacomo Casanova, Tradução de Nuno Castro e Paulo Azeredo