Não consegui resistir. A imagem, roubada ao “Abrupto”, é do Notícias Ilustrado de 27 de Novembro de 1932 e terá sido tirada, durante o discurso que marca o início da “ditadura das finanças” proclamada por Salazar. Salta à vista a garrafa de porto Borges estrategicamente colocada sobre a mesa. A fotomontagem, algo tosca para os nossos dias, deixa no ar uma pergunta: porquê apenas três copos, quando o líquido da garrafa, mesmo que parcimoniosamente distribuído, mal chegaria para todos os devotos que assistiram ao discurso? Terá sido impossível replicar copos para todos os presentes ou o fotógrafo foi simplesmente preguiçoso? Dando de barato que a opção foi premeditada e admitindo que teria sido o ditador a pedir a dita garrafa para comemorar o momento, quem teriam sido os dois a alinhar no brinde e quem teria ficado a olhar?  E já agora, seria este porto de uma boa colheita?