Já quase tudo foi escrito sobre  “O Couraçado de Pontemkine” de Sergei Eisenstein, essa obra-prima do cinema e da propaganda soviética, rodada em 1925.
É um filme incontornável na história da sétima arte, quer  do ponto de vista formal, quer pela ajuda que deu na propagação dos ideais soviéticos.
Aqui interessam-nos os 13 primeiros minutos rodados em torno da alimentação.
É, efectivamente, a má qualidade da comida a bordo, particularmente a peça de carne infestada de vermes que irá parar à sopa servida aos marinheiros, que será o  catalisador da insurreição que culmina no minuto treze da película, quando o marinheiro quebra com raiva o prato onde se lê gravado no bordo: “dai-nos hoje o pão nosso de cada dia”.  O eloquente gesto de revolta a que nenhuma cozinha da Rússia imperial tinha assistido até então, é mais um daqueles momentos de génio de Eisenstein, que vai muito para além da ideologia a quem serviu.