Nunca eu teria seguido César até aos Bretões,
E facilmente Florus me teria arrastado para a taberna
pois mais odiosa me será sempre a triste névoa do Norte
Do que o solícito povo das pulgas do Sul.
E a vós, tabernas, de modo ainda mais amável agora
(vos saúdo,
Osterias, como o romano justamente vos chama:
pois hoje me mostraste a amada, acompanhada pelo tio
Que Há tanto tempo, para me ter a bela engana.
Aqui estava à nossa mesa, rodeada por companheiros
(Alemães,
E além o tesouro ao lado da mãe se sentou.
E virou-se para cá e para lá, e conseguiu
Que eu visse a metade ora do seu rosto, ora da sua nuca.
Falava mais alto do que é costume entre as Romanas,
(servia-me,
Olhava-me de lado, enchia e falhava o copo;
O vinho corria sobre a mesa e ela, com dedo gracioso,
desenhava círculos húmidos na folha da madeira.
Entrelaçava o meu nome com o seu, e eu, ansioso,
Fixei sempre o seu dedo, e ela reparou em mim.

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Quando cedeu ao nobre lásion, o vigoroso rei dos Cretenses,
O doce segredo do seu corpo imortal.
Como se regozijou Creta, pois o leito nupcial da Deusa
Estava repleto de espigas e o campo pejado de trigo.
Mas o resto do mundo passava fome, pois no deleite
Do amor Ceres faltava ao seu belo ofício.                                                                                                                                    Cheio de espanto o iniciado ouviu a lenda,
Fez sinal à amada – Entendes tu agora , amor, o sinal?
Segue-me depressa até ao canavial no fundo da vinha,
O nosso prazer não traz perigo ao mundo.

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Porque não vieste, amado, hoje à vinha?
Como te prometi esperei por ti a sós.
“Querida, já eu lá estava, quando por sorte vi o teu tio
Que com esforço se virava para cá e para lá entre as cepas.
De mansinho me escapei!” – Oh, como foste enganado!
Era apenas um espantalho o que te expulsou! Foi ele que
Ergueu, zeloso, a figura com canas e roupas velhas –
Ah!, eu própria o ajudei para meu desgosto.
Agora cumpriu-se o seu desejo: afugentou
Hoje o pássaro mais solto que lhe rouba o jardim
(e a sobrinha.

In, Erotica Romana, J. W. Goethe

Bacanal, Michel-Ange Houasse