Durer

Estou a ler o livro do Paul Roberts: O Fim da Comida. Na capa, à laia de subtítulo, está impressa a seguinte frase: “Os cientistas afirmam que vai faltar comida e que seremos todos vegetarianos em 2050.” Um quadro terrível, quiçá ditado pelo marketing livreiro, mas nem por isso menos perturbador. Imagine-se: vegetarianos e ainda por cima com fome.
O conteúdo, algo catastrófico, é bem fundamentado e tem o condão de alertar-nos para algumas questões prementes que vão certamente influenciar o futuro da nossa relação com os alimentos.
Inevitavelmente vieram-me à ideia os quatro cavaleiros do Apocalipse com a fome à frente, montada no seu cavalo negro em cavalgada desabrida pelos céus minguando tudo à sua passagem.
Talvez por vivermos numa época de abundância “excessiva” e não poucas vezes cruel que o temível cavaleiro continua a pairar sobre nós.
Vejam o trailer desta curiosa película intitulada “Soylent Green” rodado em 1973 e em que pontuam dois nomes grandes do cinema norte-americano: Chalton Heston e  Edward G. Robinson, que teve aqui a sua derradeira representação.
No início dos anos setenta, antecipava-se o ano de 2022 e o futuro da alimentação não podia ser mais caótico. Faltava a comida, até os vegetais. Como muitas vezes no passado, também neste filme, a solução no futuro passava por um dos grandes tabus da humanidade.
Há medos de que nunca nos libertaremos.