(…) Apesar de ter sentido uma verdadeira punhalada no coração, bem como uma ânsia ardente que lhe secou a garganta, Kikuji concentrou-se a fim de que o rosto de Inamura lhe surgisse na mente.
Ah, sim! Somente a tinha encontrado duas vezes…
Com o propósito de que ele a conhecesse, Chikako levara-a a uma cerimónia de chá no Templo de Engakuji. A actuação da jovem tinha sido simples e elegante – e que impressão, ainda tão viva!, não lhe causara a ele as longas mangas do quimono, os ombros em equílibrio perfeito, o cabelo tão cheio de luz que atravessava o papel das portas! As sombras das mangas pelas paredes, o lenço de servir o chá de súbito transformado numa flor vermelha, o lenço cor-de-rosa sob o braço quando ela, pelos jardins do Templo, se foi até ao pavilhão de chá, os mil grous brancos como que a rodeando – ah, tudo isso, e algo mais flutuava, à semelhança de nuvens, na memória de Kikuji! (…)

In, “Chá e Amor”, Yasumari Kawabata

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