A ostra, do tamanho de um seixo mediano, tem uma aparência mais rugosa, uma cor menos uniforme, brilhantemente esbranquiçada. É um mundo recalcitrantemente fechado. Entretanto, pode-se abri-lo: é preciso então agarrá-la com um pano de prato, usar uma faca pouco cortante, denteada, fazer várias tentativas. Os dedos curiosos ficam trinchados, as unhas quebram-se: é um trabalho grosseiro. Os golpes que lhe são desferidos marcam com círculos brancos o invólucro, como halos. 
No interior encontra-se todo um mundo, de comer e de beber: sob um “firmamento” (propriamente falando) de madrepérola, os céus de cima se curvam-se sobre os céus de baixo, para formar nada mais que um charco, um sachê viscoso e verdejante, que flui e reflui para a vista e o olfato, com franjas de renda negra nas bordas. 
Por vezes mui raro uma fórmula peroliza em sua goela nácar, e alguém encontra logo com que se adornar.

Francis Ponge

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Oysters, Young Sir?  Henry Perlee Parker