(…) Pois, quando se pronuncia homem, na civilização, significa homem vestido; pela ordem das coisas em que nós vivemos, o homem que sai nu das mãos da natureza é incompleto; é ao alfaiate que cabe completá-lo. Nós não podemos vir ao mundo, e cumprir o nosso destino, senão sob a condição de passar pelas suas mãos; por isso, assim que somos lançados à vida, ele apodera-se de nós, detém-nos e enclausura-nos por todos os lados; não nos livramos dele senão para encontrar o leito da morte. E que alfaiate alguma vez reflectiu sobre a relevância de tais incumbências? Que alfaiate alguma vez pensou no quanto o destino de um homem está intrinsecamente ligado àquilo que veste? (…)
In Do vestir e do comer – Algumas notas…, Honoré de Balzac


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